O setor de inspeção veicular no Brasil está passando por mudanças decisivas para o formato digital, impulsionada por exigências do Inmetro e da Senatran. O armazenamento de vídeo para Organismos de Inspeção Acreditados (OIA) se tornou um ponto crítico, pois o modelo tradicional está sendo substituído por processos mais rastreáveis, seguros e transparentes.
Pensando nisso, preparamos este artigo para que você fique por dentro dos riscos técnicos e jurídicos associados aos métodos de armazenamento físico, quais são seus pontos de maior fragilidade e como você pode garantir um fluxo de armazenamento seguro, rastreável e eficiente para o seu Organismo.
Conformidade em armazenamento de vídeo para Organismo de Inspeção Acreditado
A norma NIT-DIOIS-019, após a inclusão do Anexo K, nas revisões 32 a 35, é o centro da mudança do setor de inspeção veicular no Brasil. Ela redefiniu as exigências de armazenamento e proteção de vídeos e outras evidências digitais.
Historicamente, a conformidade do OIA era verificada por auditorias presenciais e análise de documentos estáticos. Mas o aumento das fraudes, a necessidade de mais controle e o simples advento da era digital, mostraram que esse modelo não era suficiente. O “Projeto Nuvem” surgiu com a intenção de resolver essa lacuna, garantindo aos órgãos reguladores acesso remoto, seguro e completo aos dados das inspeções.
Mesmo com a suspensão do Anexo K, a gestão de dados se torna um ponto crítico. Não apresentar um vídeo íntegro de uma inspeção realizada meses atrás representa uma não conformidade grave, que pode levar à suspensão ou cancelamento da acreditação. Nesse contexto, soluções tradicionais de armazenamento local, se tornam alternativas arriscadas e insuficientes, pois podem não atender aos requisitos de segurança, redundância e recuperação exigidos pelas normas.
1.Análise regulatória e riscos de conformidade
Compreender a necessidade de modernização da infraestrutura de armazenamento de vídeo para seu OIA exige uma análise detalhada das normas vigentes. A norma NIT-DIOIS-019, em suas revisões 32 a 35, consolidou a exigência de que todos os arquivos de vídeo de inspeção gravados sejam armazenados de forma segura por um período mínimo de 18 meses a partir da data da inspeção, enquanto os registros fotográficos devem ser preservados por 3 anos.
1.1 Backup e recuperação de desastres
A norma especifica que a plataforma de armazenamento deve dispor de “políticas de backups regulares” e deve haver um “serviço de recuperação de desastres” (Disaster Recovery).
Quando dizemos backup, estamos falando o mesmo que “fazer uma cópia de segurança”. É comum que algumas pessoas entendam que apenas ter uma cópia, significa ter um backup, porém, para configurar um backup devem existir pelo menos dois arquivos iguais em locais diferentes, o original e a cópia. Garantindo, assim, que, se um dos arquivos for perdido, existe outro para substituí-lo. Ao apontar a necessidade de backups regulares, a norma está determinando que o Organismo deve garantir a existência de pelo menos duas cópias de segurança dos arquivos de vídeo da inspeção durante todo o período de armazenamento.
Já o conceito de Disaster Recovery pressupõe que os dados sobrevivam à destruição total do local primário de operação. Se um Organismo sofre um incêndio, uma inundação ou um roubo de equipamentos em que computadores e servidores são subtraídos, a norma exige que os dados das inspeções permaneçam acessíveis. Isso desqualifica, por definição, qualquer estratégia de armazenamento que mantenha a cópia original e a cópia de segurança (backup) no mesmo endereço físico.
Uma boa parte das soluções adotadas pelos organismos costuma falhar nos quesitos de backup regular e Disaster Recovery propostos pela norma.
1.2 O “Projeto Nuvem” e as suspensões recentes
A implementação destas exigências tem sido marcada por um processo dinâmico de adaptação entre o órgão regulamentador e o mercado. O Ofício Circular nº 8/2025 do Inmetro, por exemplo, comunicou a suspensão temporária de obrigatoriedade no cumprimento dos critérios específicos de integração do Anexo K da NIT-DIOIS-019, visando a harmonização com as Portarias Inmetro nº 127, 128, 147 e 149, que se encontram em revisão.
Porém, é importante ressaltar que, essa suspensão processual não isenta o organismo da responsabilidade de armazenamento dos arquivos. A suspensão refere-se aos protocolos de transmissão e à obrigatoriedade imediata de certos parâmetros técnicos da nuvem do Inmetro, mas não revoga a responsabilidade civil e administrativa do Organismo de manter os registros das inspeções realizadas. A Portaria Senatran nº 967 continua exigindo explicitamente o armazenamento de cópia dos documentos, fotografias e vídeos de todo o processo de inspeção. Portanto, se uma auditoria ou uma investigação criminal solicitar um vídeo de seis meses atrás e o organismo não o possuir devido a uma falha de HD, o OIA será penalizado pela falta do registro, independentemente do método de transmissão estar suspenso ou não.
Tabela 1: requisitos normativos x realidade operacional
Requisito Normativo (NIT-DIOIS-019 / Portarias) Interpretação Técnica de TI Prática comum nos organismos (risco) Solução em conformidade (SGV) Retenção de 18 meses Garantia de integridade do arquivo por 540 dias sem corrupção de dados (bit rot). Armazenamento em HDs antigos, sujeitos a travamento mecânico. Armazenamento em Cold Storage na nuvem com verificação de integridade. Política de backup Existência de pelo menos duas cópias simultâneas em mídias diferentes. Cópia única no DVR ou cópia manual errática para HD externo. Redundância automática em servidores distribuídos (Geo-Redundância). Recuperação de Desastres (DR) Capacidade de restaurar dados após perda total da infraestrutura física local. Inexistente. Perda do local significa perda dos dados. Dados imunes a desastres locais, hospedados em Data Centers seguros. Disponibilidade para Auditoria Capacidade de localizar e reproduzir um registro específico em tempo hábil. Processo manual lento de busca em pilhas de HDs físicos. Busca indexada por metadados e recuperação via plataforma web em <24h.
2. Anatomia das falhas: cenários tradicionais de armazenamento de vídeo de OIA
A resistência à adoção da nuvem muitas vezes ocorre por uma falsa percepção de segurança e uma incompreensão dos custos do armazenamento físico. Em uma live, um especialista do Grupo Otimiza, detalhou em reuniões técnicas os quatro cenários predominantes de armazenamento encontrados no mercado, expondo o fato de que esses métodos não constituem um backup real:
Veja a seguir o resumo dos cenários e riscos apresentados.
2.1 Cenário 1: armazenamento local sem redundância (o HD de gaveta)
Neste modelo, as câmeras conectadas a um DVR ou PC gravam diretamente em um disco rígido interno. Quando a capacidade do disco é atingida, o operador o remove, coloca uma etiqueta de identificação do período de gravação e o armazena em um armário, em seguida, insere um disco virgem no DVR para continuar a operação.
A falha fundamental aqui é semântica e técnica: isso é armazenamento, não backup. O arquivo existe em uma única instância física. Discos rígidos são dispositivos eletromecânicos de precisão. O ato de manusear esses discos (removê-los do DVR, transportá-los, armazená-los em ambientes sem controle de temperatura e umidade) expõe o equipamento a choques mecânicos e descarga eletrostática. Além disso, o fenômeno do “bit rot” (degradação magnética) pode corromper setores do disco quando ele fica desligado por meses. Assim, ao tentar ler o disco 12 meses depois para uma auditoria, a probabilidade de falha mecânica ou lógica é bem alta.
2.2 Cenário 2: a ilusão da cópia manual (o segundo hd)
Tentando mitigar o risco do primeiro cenário, alguns Organismos instituem um processo em que um funcionário copia manualmente os arquivos do HD de gravação para um segundo HD externo antes que o primeiro seja sobrescrito. Embora introduza uma segunda cópia temporária, este método pode falhar devido ao fator humano e à natureza cíclica da gravação.
Eventualmente, o HD principal do DVR será sobrescrito por novas filmagens. Nesse momento, a cópia no HD externo deixa de ser um “backup” e torna-se a cópia única. O risco retorna ao nível do Cenário 1. Adicionalmente, esse processo depende inteiramente da disciplina humana. Férias, doenças ou simples esquecimento em dias de alto movimento resultam em lacunas na gravação.
Um processo de conformidade que depende da memória de um funcionário para existir é, por definição, um processo falho.
2.3 Cenário 3: a troca de HDs do DVR
Semelhante ao primeiro cenário, mas focado exclusivamente no hardware do DVR autônomo. O organismo espera o HD encher, abre o DVR, troca o disco e guarda o cheio.
Além dos riscos de manuseio e falta do backup já citados, há o problema da interface e compatibilidade. Os conectores SATA internos dos DVRs não foram projetados para ciclos frequentes de conexão e desconexão. O desgaste físico dos conectores pode levar a falhas de gravação intermitentes. Ainda mais grave é o risco de corrupção por campos magnéticos no local de armazenamento, se houver proximidade com caixas de som, motores ou equipamentos de alta tensão da linha de inspeção, os dados podem ser apagados do equipamento silenciosamente.
2.4 Cenário 4: storage local e RAID (a falsa segurança do espelhamento)
Organismos com maior investimento em TI podem optar por servidores NAS (Network Attached Storage) com configuração RAID 1 (espelhamento), em que dois discos gravam a mesma informação simultaneamente.
O problema aqui é confundir disponibilidade com backup. O RAID protege contra a falha física de um dos discos, mantendo o sistema operante. No entanto, ele não protege contra erros lógicos ou ataques cibernéticos. Se um operador acidentalmente deleta uma pasta de vídeos, o sistema RAID replica essa deleção instantaneamente nos dois discos. Se um vírus infecta a rede, ele criptografa os dados em ambos os discos simultaneamente, tornando-os inacessíveis. E, novamente, o RAID local não oferece proteção contra desastres físicos (incêndio/roubo) que afetem o servidor como um todo.
Todos esses cenários demonstram uma possibilidade muito real, de alto risco, de perda de dados. Cada um desses procedimentos, além de precisar mobilizar funcionários do Organismo exclusivamente para essa tarefa e consumir recursos constantemente, ainda representam preocupações e desafios recorrentes, problemas esses que são totalmente solucionados com a adoção do método de armazenamento em nuvem. Ao investir nessa solução, o OIA simplesmente terceiriza a responsabilidade de segurança e armazenamento, ganhando espaço e tempo ao assumir o papel exclusivo de gerenciador.
3. A arquitetura de nuvem e a solução SGV do Grupo Otimiza
Em contraposição aos métodos físicos, a arquitetura de nuvem (Cloud Computing) transforma o armazenamento de um “produto físico”, frágil e instável, em um “serviço contínuo” de alta disponibilidade. O Sistema de Gerenciamento de Vídeos (SGV), desenvolvido pelo Grupo Otimiza, materializa os conceitos exigidos pela NIT-DIOIS-019 por meio de uma infraestrutura desenhada especificamente para a realidade da inspeção veicular.
3.1 Automação e eliminação do erro humano
O SGV monitora os diretórios de gravação locais e realiza o upload automático dos arquivos para a nuvem assim que são fechados pelo sistema de gravação. Isso elimina a necessidade de intervenção humana para a realização do backup diário de armazenamento de vídeo do seu OIA. O processo ocorre em segundo plano, garantindo que, mesmo que o computador local sofra uma avaria em seguida, os dados da inspeção já estejam seguros em um servidor remoto.
3.2 Monitoramento ativo e relatório de envio
Um dos diferenciais críticos do SGV é a capacidade de auditoria do próprio processo de backup. Nos cenários de HD físico, a falha só é descoberta quando o dado é necessário. O SGV introduz uma camada proativa por meio do Relatório de Envio de Vídeo, acessível pela plataforma Otimiza Gerencial.
Esse relatório permite que o gestor visualize, em tempo real, se algum vídeo falhou ao ser enviado. Como os DVRs locais geralmente mantêm as imagens por alguns dias antes da sobrescrita, essa notificação imediata oferece uma “janela de recuperação”. O gestor pode notificar o Suporte do Grupo Otimiza e o arquivo pode ser recuperado manualmente antes que ele seja perdido definitivamente na origem. A recomendação de especialistas é que esse monitoramento seja feito a cada 48 horas, garantindo uma taxa de sucesso de backup próxima de 100%.
3.3 Ciclo de vida do dado e recuperação
Para alinhar custos e desempenho, o SGV implementa uma política de ciclo de vida de dados:
- Acesso imediato: nos primeiros 5 dias após a gravação, os vídeos permanecem em camadas de armazenamento de acesso instantâneo, permitindo visualização em tempo real pela plataforma.
- Arquivamento: após 5 dias, para otimizar custos e garantir a retenção de longo prazo (36 meses), os vídeos são movidos para uma camada de arquivamento seguro e ficam indisponíveis para reprodução imediata no sistema.
- Desarquivamento: quando uma auditoria exige um vídeo antigo ou o Organismo sente a necessidade de acessar um vídeo já arquivado, o sistema permite a solicitação de desarquivamento. O Acordo de Nível de Serviço (SLA) garante a disponibilização do arquivo em até 24 horas, prazo compatível com os requisitos de auditoria do Inmetro e fiscalização da Senatran.
3.4 Segurança cibernética e geo-redundância no armazenamento de vídeo para seu OIA
O SGV utiliza infraestrutura de nuvem de classe mundial, que inclui criptografia de dados em repouso e em trânsito, proteção contra ataques e, fundamentalmente, a geo-redundância. Os dados não estão em um único servidor, mas replicados em diferentes zonas de disponibilidade. Se um Data Center inteiro falhar, o dado permanece acessível a partir de outra localização geográfica. Isso não só atende o requisito de Disaster Recovery da NIT-DIOIS-019, mas vai além na garantia de segurança dos dados.
3.5 Centralização no gerenciamento
A plataforma Otimiza Gerencial atua como uma torre de controle. Ao centralizar os relatórios de vídeos, laudos, CSVs, CIPPs, CIVs e fotos em um único local, o gestor ganha visibilidade sobre a saúde operacional de todas as suas unidades sem precisar se deslocar fisicamente. Identificar que uma empresa específica está com problemas de upload de vídeos permite uma intervenção rápida antes que isso se torne uma não conformidade em auditoria. Além disso, a integração nativa com os sistemas de inspeção SIVWin e SIVPP garante que vídeos, fotos, dados, laudos e todas as informações relacionadas a inspeção estejam corretamente associadas, facilitando a busca e a visualização.
Conclusão
A manutenção dessas práticas antigas e analógicas de armazenamento de vídeo para OIA é insustentável quando falamos de garantir a segurança dos dados. O Sistema de Gerenciamento de Vídeos (SGV) do Grupo Otimiza é um mecanismo indispensável de governança corporativa e conformidade regulatória.
Ao migrar para a nuvem, o organismo de inspeção transfere o risco e a responsabilidade de administração de dados para uma infraestrutura especializada, robusta e auditável, garantindo mais segurança e conformidade no armazenamento de vídeo para seu OIA.
As suspensões temporárias de prazos do “Projeto Nuvem” são janelas de oportunidade para se adequar. O Organismo pode, e deve, utilizar esse período de suspensão técnica para implementar, testar e se adaptar ao sistema com tranquilidade, garantindo que, quando a obrigatoriedade for retomada, todos os recursos estejam operando perfeitamente.
Com SGV a rotina do seu Organismo se torna mais eficiente, moderna e alinhada as conformidades regulatórias.
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